Sapatos

1 Jun 2017

Sapatos

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“Eles descem descalços a calçada que pela manhã os há de levar ao dia que se abre na escola para onde caminham. Vão gastos e puídos, humildes mas certos e seguros dos sonhos que carregam. São sapatos que percorrem a rua entre tantos outros que a seu lado seguem a azáfama das horas que passam velozes pela vida. Levam em si a certeza da infância e a incerteza das coisas que a envolvem – sapatos sonhadores! Procuram os lugares onde os abracem a amizade. Procuram as aulas onde os esperam as histórias dos números, as viagens das letras, os contornos das geografias que se lêem no magia dos livros. Procuram nas voltas do universo, entre os outros sapatos, as páginas onde descubram o mundo do futuro… Procuram a felicidade mas encontram, por vezes, tantas vezes, no pátio, nos intervalos, risos e zombarias que os magoam, gargalhadas gélidas, palavras que cortam como o frio que os inunda nos dias de inverno quando as solas já não são barragens contra chuva… E nessas vozes já não ouvem a primavera que todas as manhãs desejam… E com essas vozes desce-lhes apenas o outono das tardes nas vozes que os ferem muito mais que a água que os invade quando as nuvens lhes submergem o caminho… E por essas vozes que atormentam, fecha-se lhes o mundo e afastam-se as mãos porque anseiam – porque elas soam como gritos, porque elas trazem o vozeirão dos risos que entristecem… E agora baixam o olhar e cerram o coração… E as vozes continuam e os risos crescem gelados até que um sorriso se abre e uma mão de doçura se estende como um raio de sol que anuncia o verão. O verão da ternura que desponta num gesto. Um pequeno gesto, uma atitude, só isso… E com isso, tudo muda…

 

Muda tu também, diz não ao bullying!”

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